sábado, 19 de setembro de 2009

TERRA, uma marca registada!

Patek Philippe, uma das mais famosas e conceituadas marcas de relógios do mundo, tinha como slogan de uma campanha publicitária:

«Ninguém é verdadeiramente proprietário de um Patek Philippe. Limita-se a conservá-lo para a geração seguinte».

O que esta prestigiada marca de relógios suíços, verdadeira lenda no mercado da alta-relojoaria, da precisão e da durabilidade fez foi salientar a qualidade, o incalculável valor de uma peça única que não pode ser possuída, mas tão somente estimada e preservada até à geração seguinte, como um precioso legado de pai para um filho.

Esta máquina de medir o tempo torna-se ela mesma resistente ao tempo que visa medir e é de tal forma valiosa que sabemos que "nunca somos verdadeiramente donos de um"...

Ao contrário do eficiente medidor suíço, não existe um instrumento que meça com rigor as consequências do comportamento humano. e no entanto, não podemos mais simular desconhecimento ou indiferença pelo modelo de desenvolvimento que vimos a assumir e pelas consequências que advêm. Elas estão à vista de cada um.

A partir do momento em que se sabe esgotáveis, os direitos públicos deixam de o ser e passam a ser comuns. A atmosfera, a hidrosfera, a biodiversidade são material indivisível e do qual todos dependemos.

Eu não estou só, eu não tenho o direito exclusivo de propriedade, eu não possuo verdadeiramente. E, por isso, urge zelar pelo que é comum e pelo legado que vou deixar aos meus.

Os comportamentos humanos assumem uma dimensão colectiva.

«Tudo está ligado com tudo». Não existe acto sem consequência. Como a pedra atirada no charco e ela já foi lançada.

Precisamos de agir em busca de um mundo melhor.

Para Popper, filósofo do sé. XX, «o homem não poderá nunca mais regressar à pretensa inocência e harmonia da sociedade fechada. Se sonharmos com um regresso à infância, se delegarmos nos outros aquilo que nos compete, se nos furtarmos à incumbência da razão, da responsabilidade, então teremos que tentar fortalecer-nos na compreensão clara e precisa da decisão tomada: o regresso ao estado animal».

Não é tempo de voltar ao passado! de ignorarmos o que está a acontecer!

É tempo de cuidarmos do melhor presente e de, à semelhança do slogan da marca de relógios suíça, dizer:

«Ninguém é verdadeiramente proprietário da Terra. Limita-se a preservá-la para a geração seguinte».

Porque a melhor forma de ter é dar!

Marta Silva


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